"Superwoke": O Superman que a América não sabia que precisava

O novo Superman de James Gunn é uma interessante abordagem ao Superman que aborda questões contemporâneas como imigração, xenofobia, indústria bélica e política externa estadunidense. Devo dizer que não desapontou. São duas horas de filme cheio de ação e muito subtexto.

As conotações do filme

O filme, sem rodeios e de forma muito clara, retrata Superman como um extraterrestre refugiado no planeta Terra. Em algumas cenas é muito claro o preconceito: Superman é chamado de alien, que em inglês significa tanto extraterrestre como imigrante, e quando é preso, não lhe leram os direitos porque os direitos só se aplicam a humanos. Outra cena foi quando o povo se revolta contra Superman por entender que ele é um inimigo vindo de fora.

Elenco do filme "Superman"

Sem surpresa, algumas pessoas não gostaram da abordagem explícita em que um ícone estadunidense é mostrado de forma descarada como um imigrante, chamando o filme de "Superwoke", em especial por uma franja da direita americana.

Tais comentários levaram James Gunn a abordar o assunto dizendo que Superman é a história da América, de pessoas que vieram de várias partes do mundo, mas que para ele é mais sobre a bondade humana, um valor humano que parece estar perdido.

O ator Nathan Fillion, que faz a personagem Green Lantern, ainda brincou ao rebater as críticas dizendo que alguém precisa de um abraço.

Nathan Fillion brinca com as críticas ao filme "Superman"


O filme ainda aborda como a indústria das armas lucra com as guerras e como um país, sendo aliado dos Estados Unidos, tem carta verde para poder fazer o que quiser. Apesar dos países do filme serem fictícios, as roupas e as características geográficas (poeira, aridez, etc.) fazem o espectador pensar se será alguma mensagem indireta ou é apenas puramente ficcional, sem qualquer laço com a realidade.

Chamar o filme de "Superwoke" é um exercício fútil que tenta apenas pegar em elementos da política atual para um ataque irracional. Superman é um extraterrestre e mostrar isso não é apenas óbvio, como necessário nos dias que correm. Ser imigrante não significa que a pessoa seja má, uma ameaça ou que haja alguma conotação negativa só por ser imigrante. A humanidade seria mais feliz se estas caixas onde as pessoas são colocadas numa dicotomia bom/mau, woke/reacionário, entre outras, não existissem.

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O filme é bom?

Normalmente os filmes da DC ou têm um tom mais sombrio, ou quando tentam ser mais alegres, costumam falhar, mas este filme é uma ótima exceção. São duas horas em que quase não há momentos mortos e com uma história interessante e um balanço muito equilibrado entre seriedade e vivacidade, abordando temas sérios como a imigração, xenofobia e o poder da indústria bélica na política externa.

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