A história do HIV é uma história importante da humanidade que aterrorizou a sociedade durante os anos 80 e 90, merecendo ser contada as vezes que forem precisas. A série australiana "In our blood", que segue membros da comunidade LGBT, políticos, e médicos durante a crise do HIV na Austrália durante os anos 80, tenta contar essa história através de um drama musical cativante, mas que acabou por parecer uma campanha institucional governamental.
A série, baseada em factos reais, segue a cronologia da crise do HIV na Austrália, desde dos rumores de uma doença misteriosa nos EUA até atingir em cheio o país.
Sem quaisquer reservas, a série aborda o preconceito dos que consideravam uma doença menor porque não afectava a maioria, mas um grupo que era perseguido pela justiça.
A saber, as leis da Austrália condenavam as pessoas à prisão por actos homossexuais. A descriminalização, ou seja, deixar de ser crime, só começou em 1975 e terminou em 1997, tendo ganhado mais tracção durante os anos 80.
As inúmeras perdas de vidas humanas e o sofrimento também são abordados, assim como a comunidade LGBT e outros grupos se juntaram numa acção conjunta verdadeiramente humanitária.
A série vai passo a passo mostrando todos estes detalhes, mas em vez de ser o musical prometido, a narrativa soa mais a uma campanha institucional governamental ou uma aula de história que foi dramatizada.
E sim, contar factos passados é contar a história, mas a escolha de ter momentos em que os narradores falam para a câmera contando informações adicionais não foi a ideal. Isto tem um tom pedagógico, causando uma interrupção desnecessária e que nos impede de sentir o drama.
A personagem do ministro da saúde Jeremy Wilding (Matt Day) não me convenceu no sentido de ser uma personagem que só mostra um único tom. Não há nuances, não há ambiguidade, e as poucas dúvidas que tem desaparecem rapidamente. Como, por exemplo, os desentendimentos entre os grupos de trabalho são resolvidos com diálogos de 3 linhas, qualquer sugestão que lhe é dada ele aceita e as dificuldades como o dinheiro para financiamento são resolvidas sem grande problema. Se foi exactamente assim, tudo bem, mas acho que faltou um elemento em que realmente o preconceito das instituições se mostra realmente malévolo.
"In our Blood" é uma série com boas intenções, mas que as interrupções pedagógicas a tornam mais uma obra no meio de muitas sobre o tema, perdendo em alguns momentos a intensidade dramática necessária. Ainda assim, apesar de ser uma aula de história dramatizada, vale a pena ver pela sua relevância histórica.
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